quarta-feira, 6 de julho de 2016

Paramos na idade em que nos falta amor

O título não é da minha autoria, encontrei-o aqui, mas traduz de forma clara uma mensagem que todos assumimos saber, mas que tantas vezes parece ser esquecida: o amor e a relação com o outro é uma necessidade básica de qualquer ser humano.
É no colo de uma relação segura de amor incondicional que começamos a conhecer-nos, a conhecer o outro e o que nos rodeia.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Mães que matam os filhos

As notícias repetem-se. Mães que matam os filhos, e em muitos casos suicidando-se de seguida... tamanho sofrimento que deixa incrédulo qualquer ser humano... Crianças que perdem a vida nas mãos de quem as devia cuidar e proteger.
Será mesmo verdade?!
Porquê?!
O que pode levar a tamanha mostruosidade?!
Não há motivos que justifiquem tais comportamentos que relevam um nível de desequilíbrio muito elevado. A origem do disturbio mental e a forma como ele se manifesta pode ter várias formas, desde a mãe que mata o filho e a seguir se suicída por não conseguir imaginar o filho separado de si, à mãe que mata o filho ao fazer-lhe um ritual para o livrar de uma possessão... mas em todos os casos é necessária uma perturbação mental muito grave.


domingo, 25 de outubro de 2015

Estímulos a mais e atenção a menos

Estamos numa sociedade cada vez mais acelerada, com mais estímulos, mudanças constantes e levando a mudanças na dinâmica familiar e na forma como comunicamos e educamos os nossos filhos.
Desde bem pequeninas que as crianças são expostas ao ritmo acelerado do que as rodeia e a uma sobre-estimulação. Actualmente decoramos os espaços das crianças com bastante cor e recheamos esses espaços de brinquedos e materiais lúdico e pedagógicos, esperando que nada lhe falte... fica a faltar o tempo e o espaço para aproveitar e explorar-se a si próprio com calma, aos que o rodeiam, ao brinquedos, e os objetos do quotidiano que não sendo especificamente para crianças podiam ser reinventados e trsnsformados em brinquedos de descoberta momentânea.
Precisamos de tempo, de experiência e de experimentação. Quando as crianças são sobre-estimuladas não aprendem a analisar as potencialidades do que as rodeia até ao fim, a manter-se na mesma tarefa durante altum tempo... condicionando o desenvolvimento da sua atenção e concentração.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Como é que as crianças veem a escola?

A reação das crianças ao primeiro dia de escola pode ser diversa. Desde entusiasmadas com a descoberta dos amigos, dos materiais, das aprendizagens; ao receio de não ser capaz, de ficar de castigo, de que os outros sejam maus, de que seja uma seca… A reação inicial ao espaço escolar depende da ideia que a criança tem do que é a escola, da forma como se relaciona com os outros, adultos e crianças, e dos seus receios e expetativas. Deriva das ideias criadas à sua volta, do entusiamo e dos receios transmitidos e é condicionada pelo impacto das primeiras experiências relacionadas com a escola.
O tempo de adaptação da criança à escola tende a ser antecipado e vivido pelos pais com alguma angústia, ansiedade e medo. Questionam-se sobre como é que será que a criança vai fazer esta adaptação e tentam acalmar-se ensinando às crianças aquilo que é a escola aos olhos do adulto. Mas a forma de olhar é diferente! Por vezes, nós adultos, estamos tão preocupados em ensinar a criança que nos esquecemos de começar por ver através dos olhos dela, aprendendo o que é a escola para a criança e depois, em conjunto, construir a ideia de uma escola apelativa, em que há direitos e deveres, e em que cada dia se fica mais rico.

Temos que descer ao nível dos olhos das crianças para conseguir acalmar os seus medos e alimentar o seu entusiasmo e curiosidade.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Depressão: a dor que nos deixa sós


"A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado."
Madre Teresa


Os sintomas da depressão interferem drasticamente com a qualidade de vida e estão associados a altos custos sociais, desde as relações mais próximas até à relação com a própria sociedade. Aqui centrar-nos-emos sobre a influência da depressão nas relações íntimas.
Quando os sintomas da depressão se intalam, a pessoa tende a centrar-se em crenças negativas (mesmo que inadequadas, inúteis e nada razoáveis) e a rotularem-se de forma negativa, tendo um forte sentimento de inutilidade ou de culpa; apresentam uma diminuição no interesse em realizar as atividades do dia a dia; maior cansaço, menor capacidade de tomar a iniciativa e dificuldade e manter a sua concentração. Neste sentido, a depressão tende a minar o autoconceito da própria pessoa, a forma como se relaciona com os outros e o seu dia a dia, as suas rotinas e a forma como executa (ou não) as suas tarefas profissionais, familiares, pessoais...
Os sintomas depressivos interferem negativamente com as vivências relacionais da pessoa com depressão, levando-a a entrar num ciclo em espiral de auto-desvalorização, culpabilização e isolamento. A pessoa deprimida parece ter necessidade de algum tempo para estar só, para pensar, para se organizar... mas acaba por entrar num ciclo de afastamento de quem a rodeia, afastando aqueles que a podiam ajudar...
Amar alguém com sintomas de depressão implica um desafio diário de ler nas entrelinhas do discurso de quem diz "vai-te embora", quando quer dizer "não desistas de mim!". De quem diz que já não te ama, quando quer na verdade sente que não é suficientemente boa/bom para ti e ao mesmo tempo deseja desesperadamente que continues ali, para sempre! É viver num relacionamento paradoxal em que o amor é questionado, em que o "estar" é condicionado, em que o afeto nunca parece suficiente ou correto... em que por mais que se esteja, e se tente, sentimos que não sabemos, não acertamos e não somos capazes.
Deveremos então desistir? Até quando vale a pena?
"As pessoas mais difíceis de serem amadas são as que mais precisam de amor."... e não precisamos todos?!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O sofrimento só é intolerável quando ninguém cuida.

O sofrimento só é intolerável quando ninguém cuida.

Cecily Saunders

Por vezes a vida prega-nos partidas pondo em causa os nossos sonhos, os nossos projectos, a nossa qualidade de vida. Se há problemas de saúde com os quais se aprende a lidar integrando-os numa rotina diária promotora da manutenção de um bem-estar geral, outros impõem-se na nossa vida de forma limitante. A dor, a incapacidade, a ausência de uma perspectiva de melhoria e a dependência leva-nos a questionar o sentido da vida e o que nos faz permanecer cá mais um pouco.
Viver uma dor destas sozinho/a é deixar-se dominar pela doença, pela dor e pela desesperança. A solidão parece dar espaço à dor e à incapacidade da doença, enquanto o amor, o cuidado e o carinho a acalmam.

Perante determinadas situações clínica, viver assume-se como uma lenta tortura que só o amor parece acalmar. O amor, o toque, o abraço, saber-se querido/a, que se preocupam é o único sentido para a vida, o único analgésico. Percebermos que conseguimos construir laços afectivos capazes de nos acolher nos momentos de dor, reconhecermos que quem nos rodeia nos quer bem, que se preocupa connosco e que não desiste de nos cuidar, apazigua a dor física e alimenta a vontade de nos transcendermos. O amor permite encarar a vida e a morte com a mesma tranquilidade, a tranquilidade de quem não está só.

sábado, 30 de maio de 2015

Qual o rumo da nossa educação?

Educamos para os valores, para o sucesso, para o fracasso ou para a competição?
Aproxima-se o final do ano lectivo e é hora de reflectir sobre quem são os alunos de hoje, de que forma entendem a escola, de que forma trabalham e procuram aprender, o que os motiva, e que atitudes nós (família, amigos, escola, sociedade) temos que contribuem para a educação das nossas crianças e dos nossos jovens.
Falemos sobre quem são as crianças de hoje e os alunos mais frequentes nas nossas escolas. P
odemos falar de alunos estáveis, instáveis, de inibidos e internalizados ou externalizados, bem como de alunos motivados, desmotivados e dependentes…
Os alunos estáveis e motivados são alunos que demonstram gosto e interesse pela aprendizagem, adaptando-se com facilidade a qualquer tipo de actividade. São perfeccionistas, bem-dispostos e com perfil de liderança. Adaptam-se com facilidade a aulas expositivas, interactivas ou mesmo em aulas em que lhe é atribuída maior liberdade e responsabilidade no processo de aprendizagem. São alunos com capacidade para se automotivarem e que apresentam bom desempenho escolar.
Os alunos motivados mas internalizados e inibidos, são alunos que gostam de passar discretos, não perturbam nem participam na aula. Lidam bem com aulas de carácter expositivo e tendem a ter resultados medianos/suficientes. São crianças ou jovens com características de timidez e depressão.
Os alunos desmotivados, internalizados e inibidos também são alunos com características de timidez e depressão, que gostam de passar discretos, não participam nem perturbam a aula, e que preferem aulas de carácter expositivo. Ao nível dos resultados escolares tendem a apresentar resultados baixos a suficientes para passar de ano.
Os alunos instáveis revelam oscilações ao nível do seu desempenho tendo em conta que nem sempre estão atentos nas aulas e a sua motivação varia em função do professor, matéria, ou mesmo devido a situações externas à escola. Estes alunos preferem aulas interactivas e reagem mal a métodos de ensino monótonos. Têm dificuldade em lidar com as regras e ao nível do comportamento tendem a ser agitados e a manifestar grande labilidade emocional.
Os alunos externalizados preferem sentar-se no fundo da sala e ter actividades mais dinâmicas ou desportivas, reagindo negativamente perante as aulas expositivas. A principal diferença entre os instáveis e os externalizados relaciona-se com a forma como lidam com os conflitos, sendo que os instáveis tendem a ficar tristes ou magoados perante uma situação de conflito, enquanto os externalizados tendem a passar ao ato.
Os alunos dependentes revelam falta de iniciativa e vontade própria necessitando de um volume de ajuda e incentivo maior que o esperado, mas reagem positivamente a esse apoio.
Os sentimentos pessoais e os comportamentos que se manifestam na escola e perante a escola são fundamentais na determinação do sucesso ou insucesso educativo. Neste sentido, é preocupante o aumento dos alunos desmotivados, que não revelam iniciativa, capacidade de automotivação e que apresentam alguma dificuldade em reagir positivamente às estratégias de ensino. São alunos que não valorizam a escola, os professores/educadores, e que apresentam alguma resistência à escola pois consideram que “não vale a pena”, “não tem importância”, “não serve para nada”. São alunos que vão passando “à rasca” ou mesmo com algumas a várias retenções e que revelam não ter objectivos nem interesses claros.
Importa perceber que nós temos vindo a desvalorizar o papel do professor e da escola deixando os jovens sem rumo. Ao lhes retirarmos a confiança no sistema de ensino, retiramos a confiança no seu futuro, na crença de que o seu trabalho dará frutos, na crença de que vale a pena o esforço, o empenho e que vale a pena tentar melhorar.

Será que ainda podemos devolver um sentido à vida destes jovens?