No nosso dia-a-dia as conversas fluem sem que tenhamos que
nos preocupar, de forma significativa, com o que estamos a dizer, se a outra
pessoa entende, se se lembra do que estamos a falar, se se lembra de nós…
enfim… mas quando interagimos com alguém que sabemos ser portador de alzheimer
a nossa atitude, o que dizemos e a forma como o dizemos tende a mudar.
Será isto bom?
Porque o fazemos?
A verdade é que, após o diagnóstico, parece que no discurso
de cada pessoa que interage com o portador da doença de alzheimer se procura a
confirmação de que o diagnóstico está correto e todos nós nos centramos no
problema… lembra-se?... Não se lembra? … E a multiplicidade de interações que
até então era possível estabelecer, de um momento para o outro passa a
focalizar-se em exercícios de memória (para além dos que a estimulação
cognitiva já pressupõe) e deixamos de “ver” a pessoa para procurar o seu “baú
das memórias”.
Estamos inseguros. Temos medo do que podemos encontrar
naquele momento e n
o que iremos encontrar no futuro. Não sabemos como agir. Centramo-nos
no problema e não conseguimos rever aquela pessoa como ela sempre foi… agora já
não é só a Maria… é a Maria que tem Alzheimer… sempre e para sempre.
Ao centrarmos o nosso discurso num interrogatório sem fim
sobre se se lembra de alguém, de algo, ou de alguma situação, estamos a
confrontar a pessoa constantemente com a sua dificuldade, a acentuar a sua
desorientação porque acabamos por referir coisas de que efetivamente não se
lembra, e a provocar constrangimento, frustração e raiva.
É importante dar um ambiente calmo, tranquilo, acolhedor,
que não confronta a pessoa com a sua própria desorientação, para que possam
manter alguma estabilidade emocional e aproveitar as relações afetivas
significativas de forma prazerosa para todos.
Não devemos estar sempre a perguntar se se lembra de algo
específico, procure antes partilhar as suas memórias com ele ou com ela. Desta
forma está a estimular a memória da pessoa portadora de Alzheimer e ela irá
manifestar-se caso se lembre dessa situação.
Evite discutir ou confrontar a pessoa corrigindo-a ou
contradizendo-a. Aceite a narrativa da pessoa portadora de Alzheimer, as
histórias, mesmo que não correspondas às suas e sempre que o tema seja sensível
ou conflituoso procure mudar de tema para não se irritarem.
Evite temas que possam perturbar a pessoa portadora de
Alzheimer, por exemplo, não fale de entes queridos que já faleceram ou não a
confronte com a sua morte, a menos que seja questionado/a diretamente sobre se
aquela pessoa já morreu.
Estabeleça uma relação positiva e mantenha um diálogo
construtivo, baseado na partilha de experiência vividas.
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